Quanto de luz gasta cada aparelho da casa
A conta que revela o vilão da fatura cabe em uma linha, e o resultado costuma surpreender: o aparelho mais potente raramente é o que mais pesa.
O consumo de energia dos aparelhos se calcula com uma fórmula só: potência em quilowatts, vezes horas de uso por mês, vezes a tarifa por kWh da sua conta. Com ela dá para descobrir em cinco minutos quem realmente pesa na fatura, e o resultado costuma contrariar a intuição. O chuveiro é o aparelho mais potente da casa, mas fica ligado poucos minutos por dia; a geladeira tem potência baixa e trabalha o mês inteiro. Os dois costumam terminar empatados.
Como fazer a conta com os seus números
Pegue a potência em watts, que está na etiqueta do aparelho ou no manual, e divida por 1.000 para obter quilowatts. Multiplique pelas horas de uso mensais e pela tarifa da sua fatura.
Exemplo com um ferro de passar de 1.200 W, usado 2 horas por semana:
- 1.200 dividido por 1.000, igual a 1,2 kW
- 2 horas por semana, vezes 4,3 semanas, igual a 8,6 horas por mês
- 1,2 vezes 8,6, igual a 10,3 kWh por mês
- Com tarifa de R$ 0,90, isso dá cerca de R$ 9,30 mensais
A tarifa exata está na sua conta de luz, e muda por estado, por distribuidora e pela bandeira tarifária do mês. Use a sua, não uma média.
Estimativa de consumo mensal dos principais aparelhos
| Aparelho | Potência típica | Uso mensal | Consumo estimado |
|---|---|---|---|
| Chuveiro elétrico | 5.500 W | 4 h por pessoa | 22 kWh por pessoa |
| Geladeira duplex | 150 W médios | Ligada o mês todo | 40 a 60 kWh |
| Ar-condicionado 9.000 BTU | 900 W | 8 h por dia | 216 kWh |
| Máquina de lavar | 500 W | 12 ciclos de 1 h | 6 kWh |
| Ferro de passar | 1.200 W | 8,6 h | 10 kWh |
| Micro-ondas | 1.400 W | 5 h | 7 kWh |
| Televisão de 50 polegadas | 100 W | 150 h | 15 kWh |
| Computador de mesa | 200 W | 120 h | 24 kWh |
| Lâmpada LED de 9 W | 9 W | 150 h | 1,35 kWh |
O que a tabela ensina
O ar-condicionado é, com folga, o maior consumidor de uma casa que o usa diariamente. Ele sozinho pode superar todo o resto somado, e é o primeiro lugar onde qualquer esforço de economia dá resultado visível.
O chuveiro impressiona pela potência, mas o consumo é limitado pelo tempo curto de uso. Em família grande, porém, ele se multiplica por pessoa e rapidamente vira o segundo colocado.
A geladeira é o oposto: potência baixa e uso contínuo. Por isso a manutenção dela, com condensador limpo e borracha da porta vedando, tem efeito permanente na fatura, ao contrário de um cuidado pontual com outro aparelho.
O consumo em espera, e o tamanho real dele
Aparelhos em modo de espera consomem entre 1 e 5 W cada. Parece irrelevante, e é, individualmente. O problema é a quantidade: televisão, receptor, videogame, micro-ondas com relógio, carregadores, roteador e aparelho de som somam algo entre 20 e 50 W ligados 24 horas por dia, o que dá de 14 a 36 kWh por mês.
Uma régua com interruptor para o conjunto da sala resolve sem esforço diário. Vale ressalvar que roteador e alguns aparelhos com atualização automática têm motivo para permanecer ligados, e a régua deve separar esses do resto.
Onde a economia realmente aparece
- Ar-condicionado em 23 ou 24 graus, em vez de 18. Cada grau a menos aumenta o consumo de forma significativa, e a diferença de conforto entre 23 e 18 graus é bem menor que a diferença na conta.
- Filtro do ar-condicionado limpo a cada quinze dias.
- Condensador da geladeira limpo uma ou duas vezes por ano, e o aparelho afastado da parede.
- Banho mais curto, que é a única variável do chuveiro que o morador controla sem trocar de sistema.
- Máquina de lavar com carga cheia, porque o consumo por ciclo é quase o mesmo com a máquina cheia ou pela metade.
- Lâmpadas de LED, que representam pouco no total, mas cujo retorno é imediato e permanente.
O que não fazer
- Comparar potência em vez de consumo. Potência alta com uso curto pesa menos que potência baixa ligada o dia inteiro.
- Usar tarifa média de internet em vez da tarifa impressa na própria fatura.
- Desligar a geladeira quando sai de viagem curta, o que estraga alimento e economiza pouco. Em viagem longa vale, mas com a geladeira esvaziada, limpa e com a porta entreaberta.
- Ignorar a manutenção como forma de economia. Filtro sujo e condensador empoeirado aumentam o consumo silenciosamente, mês após mês.
Este texto cobre o que o morador resolve com ferramenta simples. Quando o problema envolve a rede de gás, o quadro de energia, a coluna de água do prédio ou a estrutura do imóvel, pare: esse serviço é de profissional habilitado, e insistir sozinho costuma sair mais caro que a visita técnica.
A tarifa por quilowatt-hora e a bandeira tarifária do mês são definidas pela distribuidora sob regra da Aneel, e é por isso que o valor da sua conta não bate com nenhuma média nacional.
Para continuar
Este texto faz parte de nosso roteiro de pequenos reparos.
Veja também: a comparação de custo entre aquecimento a gás e elétrico.
Veja também: a limpeza do filtro que reduz o consumo do ar-condicionado.
Perguntas frequentes sobre consumo de energia dos aparelhos
Como calcular o consumo de um aparelho?
Divida a potência em watts por 1.000 para obter quilowatts, multiplique pelas horas de uso no mês e pela tarifa por kWh da sua conta. Um ferro de 1.200 W usado 8,6 horas por mês consome cerca de 10 kWh.
Qual aparelho gasta mais energia em casa?
Em casa com uso diário, o ar-condicionado, com folga. Sem ar-condicionado, a disputa fica entre o chuveiro elétrico e a geladeira: um tem potência alta e uso curto, o outro potência baixa e uso contínuo.
Aparelho em modo de espera gasta muito?
Individualmente, de 1 a 5 W. O conjunto de uma sala, ligado 24 horas por dia, soma de 14 a 36 kWh por mês. Uma régua com interruptor resolve, deixando de fora o roteador e o que precisa permanecer ligado.
Vale a pena desligar a geladeira em viagem?
Em viagem curta, não: o alimento estraga e a economia é pequena. Em viagem longa, vale, desde que a geladeira seja esvaziada, limpa e deixada com a porta entreaberta para não criar mofo.
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